Cabianca1. A web 2.0 tem como premissas os serviços gratuitos, conteúdo produzido pelos próprios usuários e acesso através de banda larga. Como você relaciona o mundo corporativo com os canais social media?

Apesar de serem as pessoas que fazem o “mundo corporativo”, dá para perceber que faltam pessoas ligadas ao mundo online dentro das empresas. Tenho uma empresa de serviços e lido com muitas empresas de vários portes e o contato com a grande maioria precisa ser didático, explicar o que é internet, para depois se chegar até uma percepção inicial do que seria a web2.0.

E por conta desta falta de conhecimento, o mundo corporativo não consegue usar de verdade e de forma estratégica os benefícios desta realidade da web. São poucas as iniciativas que tentam usar, mas ainda muito tímidas. Vejo que o maior entrave nem seria tanto o conhecimento sobre a web, mas principalmente o conhecimento e confiança na própria marca/produto/serviço, pois o que ouço de diversos empresários que já conversei é sobre o medo de “deixar pública e solta a opinião dos consumidores”.

2. Como você define o momento pelo qual passam os meios de comunicação no Brasil e no mundo com a mudança do perfil do público usuário de novas mídias?

Não creio que mudou o perfil das pessoas, consumidores, leitores. O que mudou foi a facilidade destas pessoas propagarem suas opiniões que sempre existiram, não somente para seu círculo familiar, social e
profissional, mas para qualquer pessoa que tenha acesso web.

E vejo que o momento é assustador para aqueles que faziam a comunicação, ou seja, jornalistas e publicitários, pois perderam o domínio e qualquer um pode gerar uma notícia e um “anúncio”. Um exemplo é o SuperTube, onde uma câmera na mão e um produto para vender, faz qualquer um ser um diretor de criação. E assustados, estes profissionais correm nas ações de tentativa e erro.

Ao mesmo tempo, o momento é de uma avalanche de criatividade, pois nunca se teve tanta criatividade acessível assim. A maior dificuldade é criar um envolvimento emocional de verdade, entre as marcas e seus consumidores, e provocar que estes sejam efetivamente embaixadores de suas marcas favoritas.

Apesar de ser uma estratégia muito mal utilizada e mal vista, o Marketing Multinível, deveria ser o canal ideal para o aproveitamento destas novas mídias, onde uma pessoa “valida” um produto, gera conteúdo sobre ele, vende e deveria ser “remunerado” por isso, usando outros tipo de moedas, do que dinheiro. Infelizmente começou errado e para consertar só em outra era glacial.

3. Quando se trata de web 2.0, fala-se muito sobre serviços. Sendo
publicitário, como você vê a publicidade no novo cenário da comunicação?

Apesar de publicitário de formação acadêmica, toda formação profissional que tenho foi usando canais de comunicação como forma de relacionamento. Mas em se tratando mesmo da publicidade, os grandes players, que detêm o mercado e, principalmente os anunciantes, ainda enxergam a publicidade empacotada em TV, rádio, jornal, revista e banner em portais. Em se tratando da web, avaliam ainda os cliques – que se sabe que são valores % pequenos,para depois esperarem o clique de conversão.

Agora, se pensarmos – mesmo que de forma simplista – que na web as pessoas querem falar o que acham, o mercado deveria tentar “pegar carona” nesta opinião. O que estou querendo dizer é que o processo é mais profundo do que simplesmente adaptar a publicidade num novo cenário. Esta adaptação deve começar na construção do produto ou serviço que será oferecido – na qualidade dele e na transparência no relacionamento com o consumidor. Quando os acionistas perceberem isso, a publicidade ficará mais fácil e vendedora.

4. Qual sua visão sobre a web 2.0? E quais as novas oportunidades de
negócios criadas entre o mundo corporativo e os blogueiros?

A criação do termo “web2.0″ foi exatamente a necessidade de se empacotar, criar um selo, para o entendimento do que seria a possibilidade das pessoas interagirem por meio da web. Da mesma forma, o termo “blogueiro” foi (ou está sendo substituído) pelo termo “profissional de mídias sociais”.

Sobre esta interatividade entre as pessoas, acho sensacional! Se me permite o merchandising, somos os gestores da loja online da Sépha Perfumes (a segunda loja online de venda de perfumes e cosméticos) e nossos clientes fazem comentários sobre os produtos que vendemos e tem muitos produtos que a área de comentários vira um “chat”, o que ajuda a vender mais ou menos os produtos. Com esta interatividade, as empresas tem como saber o que falam sobre elas – fora dos Focus Group – e tomar decisões estratégicas sobre estas opiniões.

Sobre as novas oportunidades, a maior que aponto é esta: o dia que as
empresas perceberem que vale a pena se relacionar de forma franca e clara com seus consumidores, talvez usando a estrutura de um blog – troca imediata e registro da informação – os blogs deixarão de ser apenas um lugar para ler, para se transformarem em um ambiente de relacionamento.

Veja o trabalho e as fotos de Cabianca feitas em Curitiba!